živijo Eslovénia

De Veneza até Trieste são 180 quilómetros: uma distância curta para uma tarde inteira, pensámos.

Pela manhã de sexta-feira não deixámos que nenhum raio de sol nos despertasse por entre as portadas de madeira. Fechámo-las bem na noite anterior. E só o som das gaivotas se fazia ouvir por entre cada canal de mar, que avistávamos pela janela do quarto.

Amoroso!

Deixámos Veneza e os amigos que por lá fizemos e encontrámos. Mais uma vez, é o momento da despedida o que mais custa. O adeus. O até já. A saudade que tão bem nos carateriza: a nós, gente da nossa terra, portuguesa.

Para sair da ilha não foi fácil. Do primeiro lugar que escolhemos, fomos expulsos. A senhora agente que por lá tentava controlar o trânsito (sem grande congruência, já que por Itália vimos de tudo acontecer), apressou-se a despachar-nos da sua área. E sem grande entendimento, lá nos mudámos para longe da sua vista.

Na verdade, para um lugar bem melhor. Mas nem por isso mais célere para apanhar boleia. Esperámos mais de 3 horas. Já nos doíam as pernas de estar de pé e parados.

E já nos doía o pensamento, de moído.

Ofereceu-nos boleia um senhor que ia para perto, mas que tinha um amigo que nos levaria ao destino por 10 euros. Uma história um tanto estranha. Não que duvidássemos da sua vontade de nos ajudar, mas achámos que ali à espera continuaríamos melhor.

Dos autocarros urbanos que iam passando por nós, já os condutores se riam. Viagens para a frente, viagens para trás, nós no mesmo sítio!

E a boleia que acabámos por conseguir foi pedida delicadamente. O senhor parou (não por nós), mas aproveitámos a deixa. Não ia para Trieste, mas ia na direção. Partilhou-nos histórias e mais histórias das suas viagens pelo mundo, também por vezes à boleia. Talvez com pensamento tresloucado, achámos graça à forma como nos apoiou e aconselhou a estar sempre atentos.

E quando nos deixou numa estação de serviço da autoestrada, estávamos-lhe agradecidos e finalmente encaminhados. Aí não demorou tanto até encontrarmos alguém que nos levasse por mais uns quilómetros. Para um, de partilhas. Para outro, de profundo sono! Era militar e havia estado no Afeganistão em missão de paz, supostamente – disse. De conversa fácil, e pé pesado, foi num abrir e fechar de olhos que nos deixou numa nova estação de serviço.

Desta, nem tivemos tempo de tirar as medidas! Os primeiros jovens que vimos, a quem perguntámos se nos levariam, foram certeiros. Franceses, cada um de sua cidade, iam ainda até à Croácia nessa mesma noite.

O sol estava já a deixar-se desaparecer no horizonte, quando arrancámos; e quando nos deixaram em Trieste, já brilhava no céu a lua. Sem estrelas. E foi esta uma boleia com direito a tudo: oferta de comida, oferta de casa, troca de contactos e entrega à porta de casa. Sim, uns verdadeiros gentlemans, sim. Simpáticos, cordeais, disponíveis. E muito amáveis!

Estávamos então à porta da nossa terceira couchsurfer desta aventura. De sorriso estampado no olhar, recebeu-nos de braços abertos! Com ela cozinhámos, aprendemos italiano, ensinámos português, saímos à noite, conhecemos mais amigos e ainda partilhámos o pequeno almoço e um passeio matinal. Não sabemos se doce é o adjetivo certo, mas assenta-lhe na perfeição!

Preparados para seguir viagem, voltámos a fechar as nossas mochilas.

Sábado é um bom dia. É dia de passeio para muitos.

E enquanto descortinávamos qual o melhor lugar para nos pormos à boleia para sair de Trieste, um amigo do namorado de uma amiga (que mundo!), ofereceu-se para nos levar de carro até à fronteira com a Eslovénia por estar a ir para lá. Que gentil! Adorámos conhecê-lo e foi uma ajuda enorme. Porque Trieste é uma cidade rodeada de montanhas e pelo mar. E é bem lá em cima que aparece a autoestrada – era por isso um verdadeiro tormento subir tanto e tanto com as mochilas.

Foi ouro sobre azul!

Já na fronteira, com o tempo nublado, mas nem tanto quente, nem tanto frio, estivemos várias horas. Não mais de 3, mas pareceram intermináveis. Passavam por nós carros de todos os lados. França, Áustria, Alemanha, Espanha, Itália, Eslovénia, Bulgária, Roménia. (…) Camiões. Carrinhas. Motas. Autocarros.

O nosso petisco vegetariano já lá ia.

A esperança de que apanhar boleia seria num instante, também!

Mas foi num momento inesperado que nos apercebemos que um autocarro parou para nós! Um autocarro daqueles enormes e lindíssimo. Tinha um ar tão chique que esfregámos os olhos. Com uma comunicação rudimentar e muito rapidamente, perguntámos apenas se ia na nossa direção efetivamente e se nos levaria de graça. E lá fomos nós! Pelos cumprimentos e apresentações, percebemos que se tratava de um senhor polaco. E aí era ver os nossos olhos a sorrir! É que polaco não é de todo uma barreira, porque um de nós domina a língua (quem será? 🙂 ) e ainda vai traduzindo para que possamos sempre perceber os dois do que se está a falar.

Descobrimos por isso que o autocarro era novo, a estrear, e que o senhor estava apenas a fazer o seu transporte de Itália para Bélgica. E de tão simpático que era, tivemos mesmo pena de o ver partir depois de nos deixar. É que contado talvez não dê para acreditar, mas mesmo de autocarro fez questão de nos vir trazer à porta de casa.

O lado bom do mundo está ao virar da esquina.

Por baixo do nosso sorriso.

O lado bom do mundo não tem limites.

Já em Liubliana, levámos algum tempo até descobrir uma amiga de um amigo, que é quem por aqui nos está a hospedar. Uma pessoa iluminada e cheia de energia! Acabámos por contactar para Portugal a pedir o seu número e no fim terminámos a cozinhar e a ver el clasico com entusiasmo.

Hoje palmilhámos a cidade. Linda. Encantadora de verdade! Da Eslovénia guardamos boas recordações e amanhã partimos já rumo à Croácia.

É que o mundo gira e não espera por nós!

 

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Verona e dopo Venezia

Torino, una bella citta!

E não encontrámos só uma bela cidade, como uma bela casa, onde fomos acolhidos com tudo o que de melhor poderíamos desejar. Amigos de amigos, que magia! Fazia sol pela manhã, quando a deixámos, bela ainda.

Entusiasmados com a partida para Verona, mas receosos. Viajar à boleia por Itália parece um verdadeiro enigma: não sabemos o que leva cada condutor a virar a cara ou a ignorar a nossa presença, a nossa mão, a nossa placa. Mas sabemos que o fazem, melhor que ninguém.

Aliás, depois do primeiro contacto – onde estivemos 6 horas, que nem inergumes, a ser ignorados – percebemos como iriam ser estes próximos dias. Mas, se a paciência nos faz sábios; a tolerância faz-nos fortes. E tudo o que precisamos nesta viagem é de força: força para seguir, força para não esmorecer, força para lutar, força para ser mais e melhor. Força. E juntos, somos uma força muito especial!

Ainda no centro de Torino, e com alguma fraqueza no que respeita a fazer 4 quilómetros a pé para abandonar a cidade, de mochilas às costas e tralhas infindáveis, decidimos por-nos à boleia. Ali mesmo.

Olhavamo-nos, olhos nos olhos. E sabíamos perfeitamente que não é no meio de uma cidade que uma boleia aparece. Sabiamo-lo de cor. Mas parecíamos enraizados: os carros passavam e passavam, e continuávamos à espera da nossa sorte. E ainda bem, porque ela chegou. Chegou num carro, com um casal! Ela Romena, ele Italiano. Viram na nossa placa “TANGZ”, e perceberam que queríamos ir apenas até à entrada da tangencial, uma espécie de autoestrada. E assim – inesperadamente! – conseguimos o nosso bilhete de saída de Torino; a cidade do ‘Tourozinho’.

Mas a passagem não estava completa.

À entrada da tangencial, esperámos mais de 1 hora. Talvez quase 2! Minutos e mais minutos, com pouca esperança e muita certeza: avistava-se um longo dia.

Mas havia força. Corações fortes.

E quando menos esperávamos, escondemos a placa que tinha o nosso destino (porque às vezes é preciso mudar algo para dar certo), e parou uma carrinha. Um senhor Egípcio, levou-nos até à primeira estação de serviço, dentro já da autoestrada. Às vezes é assim, para avançar não interessa bem para onde vão, desde que nos ajudem a avançar para um lugar mais estratégico: uma bomba de gasolina, claro. E no fim, enquanto nos despedíamos, ainda nos ofereceu 4 das suas maçãs, como farnel para a nossa viagem. Porque quando menos esperamos, é assim, brota a bondade humana.

Confiantes e mais animados, depois destas duas boleias não tão morosas, abordámos todas as pessoas que víamos pelo restaurante da área. Uma por uma. Dezenas. Muitas. Carros cheios, carros de empresas, outras direções, medos; ouvimos de tudo. Mas sempre com o mesmo desfecho: não podiam levar-nos. E como sempre, ainda apareceu que oferecesse lugar para um: mas recusámos e recusaremos sempre.

Porque é juntos que somos a força.

O amor.

E mantivemo-nos atentos até aparecer um senhor que aceitou levar-nos, mesmo com duas cadeiras de bebé atrás e muitas coisas no carro. Parecia mais tímido que assustado, mais envergonhado que incomodado. Mas de sorriso acanhado, arrumou tudo de forma a que coubéssemos e ficássemos o mais confortáveis possível. E arrumou também todas as ideias durante a viagem, enquanto lhe explicámos esta nossa aventura.

Foram poucos quilómetros (ainda que tenha dado para um sono profundo!), e acabou por deixar-nos numa nova estação de serviço. Aqui por Itália todas as que temos encontrado têm restaurante, o que nos ajudou por ser hora de almoço.

Mas aí, cada tiro, seu melro. Difícil.

Arriscaríamos dizer que 70% foi dizendo que não ia na nossa direção. E 20% tinha o carro cheio. Mas, andar à boleia é assim.

Com calma, só temos de esperar. Porque cedo ou tarde, alguém nos leva. E como nesta viagem, trocámos o relógio pelo bater do nosso coração, tempo é tudo o que temos.

Acabámos assim por abordar um jovem, que sem grande pensar, assumiu ir na nossa direção. No entanto, enquanto decidia se nos levaria – ou não, falando com a sua esposa, fomos perguntando na mesma a quem passava. Sabíamos que, caso aceitassem dar-nos boleia, nos iriam deixar a 150 quilómetros de casa. Mas não deixava de ser uma boa ajuda! Por isso, continuávamos a perguntar, mas só os trocaríamos caso alguém fosse para perto de Verona.

E, nos entretantos, passou por nós um casal jovem e sorridente. Emanavam uma simpatia incomum por aqui! Emanavam uma energia doce e boa de sentir! E foi quando lhes falámos, que disseram ir mesmo para pertinho do nosso destino.

Pelo caminho conversámos em Inglês: uma zona de conforto para os 4. E foi bom, foi bom porque partilhámos 200 quilómetros de vivências, de histórias, de vida. E eles vão casar em breve. E vão em lua de mel também em breve. E vão viajar muito também em breve. E é então fácil perceber como nos ligámos.

Deixaram-nos depois a 15 quilómetros de casa; da casa da nossa segunda Couchsurfer. Uma jovem que, embora tenha rejeitado o nosso pedido, disse alojar-nos caso não tivéssemos outra alternativa ou resposta positiva, pois havia gostado da nossa mensagem. Pois a ela, só podemos estar gratos!

A ela e a todos os que se cruzam no nosso caminho; até mesmo aqueles que viram a cara e fingem não nos ouvir (quando lhes perguntamos se vão na nossa direção). Porque mesmo aos maus bocados estamos gratos. Gratos pela aprendizagem.

Quando nos deixaram na estação de serviço, pouco antes de Verona, o sol já estava baixo. No lusco-fusco. Percebemos que ali estávamos um pouco perdidos. Dificilmente alguém com o nosso destino pararia a tão poucos quilómetros de casa. Mas não nos restava outra opção senão perguntar a todos os que víamos, se nos poderiam levar. Bom, poderíamos sempre caminhar, claro está. 3 a 4 horas e chegaríamos. Mas na autoestrada não é possível. De todo.

Portanto, boca, para que te queremos?

Não, não foi nada fácil. É que, ali, nem nos olhavam. Faziam desvios infinitos só para nos contornarem. Se olhavam, era de esguelha. Outrora, até podíamos cheirar mal ou ter mau aspeto, mas não demos por isso. 🙂

Acabámos depois por receber uma mensagem da nossa couchsurfer dizendo que nos poderia ir buscar, se lhe explicássemos onde estávamos concretamente. Mas, mas só para que conseguisse chegar ao nosso lado, implicaria além de quilómetros, portagens.

Foi então que ao passar de mais um senhor, lhe perguntámos se iria na nossa direção. Disse que não. E posteriormente acrescentou que já estavam 4 num carro. Mas insistimos pedindo ajuda para explicar à nossa amiga onde nos poderia ir buscar. Conversa e explicações à parte, e no fim já estava a família ali reunida; esposa, filhas e cachorro. E no fim dos fins, o carro tinha 6 lugares, e quis levar-nos!

Pelo caminho, ouvimos as suas histórias além-fronteiras e falámos sobre ‘O mundo na mão’. Foi tudo tão espontâneo, que quando nos deixou, ainda nos ofereceu uma garrafa de vinho, dois abraços, uma foto e a promessa de um novo encontro, em Portugal!

Estávamos assim na cidade do amor, do Romeu e da Julieta. E com pouco mais de 30 minutos caminhando, estávamos em casa! Doce e acolhedora. Com um jantar vegan acabadinho de fazer e que nos consolou de quentinho e saboroso.

E quando o despertador tocou na manhã seguinte, estávamos novos e fresquinhos. Claro, aceitaríamos ficar na cama por mais um par de horas, mas estávamos prontos para conhecer a linda cidade de Verona, todos os seus encantos e ainda a casa de Romeu e Giulieta.

E assim foi, encantador; mas não mais que o que estava para vir.

A primeira boleia para Veneza foi difícil de obter. Não que tenhamos estado muito tempo à espera, mas fizemos vários quilómetros e mudámos várias vezes de sítio. Pedimos boleia, pelo menos, em 3 lugares diferentes. Nenhum nos parecia bem, em nenhum sentíamos que ia dar certo. Então mudámo-nos várias vezes. E já não era só os ombros que nos doíam: eram também as pernas. Era também o cansaço no pensamento, mais que no corpo, porque o desgaste não se faz só fisicamente. Às vezes, acreditar é a única solução para ter força. E a melhor.

Já várias horas depois entre caminhadas e esperas, chegámos ao limite (não nosso): estávamos à entrada da autoestrada que seguia para Milão e Veneza. E dali, não podíamos passar.

Ouvimos ainda que em Itália é proibido andar à boleia, como já antes havíamos ouvido. Mas essa proibição é estritamente relativa às vias rápidas, e isso é aqui na Itália e em todo o lado. E depois da polícia passar várias vezes por nós, deixámos-nos estar, tranquilos. Ou ansiosos, por sair dali.

Mas aí, a espera não foi morosa. Encostou um carro, e conduzia-o um senhor muito simpático. Percebemos depressa que pela sua pronúncia a falar inglês não seria Italiano, e não era. Era Estado Unidense e muito conversador!

Levou-nos pois até uma estação de serviço, ainda na autoestrada. E agora o suposto seria dizermos que por lá ficámos tempo infinito porque estávamos em terras italianas, e que como tal, pedir boleia é um verdadeiro martírio. Mas não foi.

Não foi nada disso. Para nossa grande surpresa, foi tudo num piscar de olhos. Talvez tenha sido a terceira ou quarta pessoa que abordámos. ‘Mi scusi , stai andando in direzione a Venezia?, e de pronto ouvimos ‘Andiamo, vine!’. E fomos! Era um jovem, e nem hesitou em ajudar-nos. Passou grande parte da viagem a tratar de negócios seus pelo telefone, mas pelos intervalos, pudemos conhecer-nos.

E sorrimos, incrédulos ainda e felizes, quando nos deixou. Deixou-nos a uma ponte de distância de Veneza. Sim, tínhamos somente que atravessar a grande ponte que permite chegar à ilha de Veneza. Tínhamos hipótese de apanhar o comboio ou apanhar uma nova boleia. Mas foi fácil decidir, tão fácil. O sol não raiava, mas permanecia lá em cima, escondido por entre as nuvens. Iluminava-nos ainda. Tanto quanto o nosso bem estar.

Decidimos por isso continuar como até então: de dedo esticado. Resolvemos colocar-nos entre o fim da estação de serviço e a entrada da autoestrada. E não demorou até conseguirmos uma nova, e a última, boleia. Estávamos perplexos. Boquiabertos.

Incrédulos. Do 8 ao 80.

Tinha 60 anos, e havia viajado muito à boleia em Itália pela sua juventude fora. Estava tão feliz por nos levar, quando nós por estarmos a chegar em tão boa companhia. A boa vontade deste senhor, o seu bem-querer perante nós; é inexplicável. Os seus olhos jubilosos, partilhavam entre nós a saudade que guardavam das suas aventuras. E até mesmo para nos despedimos foi demorado. Havia tanto para partilhar, tanto por dizer, que dava pena seguir em frente.

Mas não foi só nesta despedida que o sentimos.

Sentimos pesar em todas as despedidas que fizemos até hoje. E começaram até antes da partida. Mas neste caminho, deixar para trás aqueles que deixaram algo em nós, custa. Em cada adeus, ou até já, o nosso coração lateja. Lateja mais do que bate. Porque fica apertado, apertadinho.

É duro, mas ouvimos por aí dizer que faz parte. E faz: faz-nos mais fortes.

Hoje, não só palmilhámos Veneza (sim, ao contrário do que muitas vezes se pensa, não é preciso andar de gôndola ou de barco para conhecer esta cidade!), como ainda reencontrámos um amigo de viagem e fizemos um grande e lindo jantar para os amigos que nos estão a hospedar.

Pela noite adentro, deixámo-nos apaixonar pelo mar por entre cada rua estreita, e por cada reflexo de luz nele feito.

Amanhã seguimos com rumo à fronteira, e pernoitaremos em Trieste. Depois, a seu tempo, chegaremos a Liubliana, na Eslovénia. Depois virá a Croácia, a Sérvia, a Macedónia e por aí fora. Virão mais quilómetros. Virão mais pessoas. Virá mais amor.

De 49 boleias até então, virão também mais, muitas mais. E virá o Mundo.

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