mudam-se os planos.

E quando tudo muda assim: vamos para os Estados Unidos.

Era uma vez um blogue. Um blogue de um casal, recém casado, numa lua-de-mel. Um blogue de uma volta ao mundo, à boleia.

Era uma vez um blogue de uma história de amor.

E era também uma vez um blogue autêntico. Honesto. Transparente.

Era uma vez o blogue “O mundo na mão”.

Assim começou a nossa história, há pouco mais de um ano, dias antes de partirmos. A nossa história, com o nosso blogue. Partilhámos sem medo, sem cálculos ou prejuízos, aquilo que eram os nossos projetos, os nossos desejos e também os nossos compromissos.

Sorrindo. Apaixonados.

Por doze meses, fomos guardando histórias, vivências; escrevendo sobre o que sentíamos e absorvíamos. E, claro, fomos também seguindo o nosso plano, o nosso contrato.

As regras deste nosso jogo foram simples e claras, por nós com amor criadas: 1. dar a volta ao mundo, longitudinalmente, saindo de Portugal por terra, num máximo de 18 meses; 2. utilizar a boleia como meio de transporte, sempre que as deslocações se façam por terra; sobre mar, voar como última opção; 4. fazer uma média máxima de 10 euros por dia, juntos; 5. não pagar para dormir, recorrendo a amigos, amigos de amigos, couchsurfing, outras plataformas ou parcerias; 6. absorver o máximo das culturas e viver com os locais, como locais; e por fim, 7. mantermo-nos juntos, se felizes. Tudo isto, assente no pilar da flexibilidade.

E nunca as escondemos, sendo para nós difícil fugir da autenticidade que nos corre no olhar.

Um ano depois, percebemos que tudo o que até aqui vivemos foi muito intenso. Forte. Único. Avassalador. E bom. Tão bom, que do que recordamos ter vivido, trazemos cravado na pele cada emoção.

Sabemos de cor ruas, cores e sabores. Montanhas, lagos e praias. Vestes, tradições, hábitos. Está tudo em nós. Porque nós estávamos lá, de corpo e alma. E tudo o que nos envolvia, bom ou mau, era nosso, para nós.

Soubemos encarar cada problema, dar azo a oportunidades, sorrir nas adversidades, abraçar cada loucura e viver. Vivemos muito, juntos! E quem nos companha, sabe disso. Sabe desta nossa lealdade perante a vida e perante o sonho. Sabe desta lealdade perante o amor. Sabe desta franqueza. Ou integridade.

Começámos por partilhar a nossa história, e mais tarde a nossa aventura e o dia-a-dia desta viagem, com motivos simples. O facto de acreditarmos que quem viaja sabe mais de si e dos outros, de acharmos que quem viaja mais facilmente se dá ao mundo com abertura e, principalmente, o facto de percebermos que é mais fácil ser-se melhor, viajando, fez-nos despir de crenças e receios, e arriscar na mediatização desta aventura.

Se por nós e pelo que escrevemos, houver alguém a viajar, já estamos no ganho. Já somos mais felizes que ontem. Já valeu a pena. E se por nós e pelas nossas partilhas, alguém arriscar sair do sofá, arriscar quebrar um preconceito, arriscar aceitar o outro ou arriscar seguir um sonho… então para isso não há palavras.

Só corações.

Os nossos!

Foi então que surgiu aquilo que nos faz escrever hoje: o cansaço. O cansaço físico e o cansaço emocional. E a vontade de desistir.

As questões foram surgindo, foram aparecendo, foram moendo e foram ficando.

Como casal, os estádios são diferentes. As emoções são diferentes e o olhar sobre o amanhã também o é. E, juntos, com a sorte de ter os melhor amigos de sempre por perto, foi preciso ponderar. Foi preciso lutar. Foi preciso refletir. E foi preciso chorar. Abraçar.

E amar.

Porque as respostas mais bonitas e mais sentidas, vêm do amor. Tal como a nossa história. E a história do nosso blogue.

Sem motivação emocional para estar em contacto com a cultura, com as pessoas: vale a pena? E com o cansaço emocional para gerir: não passa também a haver uma pressão extra para o casal? E para andar à boleia: o maior pilar é a disponibilidade, e logo a seguir vem a energia, certo?

Claro está que perante toda esta confusão, todas estas questões, ressoa o lado comovente, tocante, dramático e chocante nunca antes por nós abordado, à mistura com a frustração e tristeza perante a eminentemente fuga ao plano inicial.

Surge a tristeza. A tristeza de não encontrar beleza nos novos lugares. A tristeza da falta de vontade. A tristeza da apatia. A tristeza da insatisfação. E a tristeza da overdose de viagem.

Mais, surge a tristeza perante a disputa de desejos diferentes.

Reviravolta.
E volta a liderar o amor.

E o estarmos juntos. Porque estarmos juntos é uma decisão nossa, consciente e querida, e é perante ela que reforçamos as nossas competências para lidar com o imprevisto e com as necessidades que cada um de nós demanda. E é também juntos que temos de improvisar a nossa capacidade de ajustar os nossos objetivos pessoais, lidar com as expetativas do outro e traçar um caminho futuro.

Afinal, o que é melhor para nós?

Se pela vida, outrora, procurámos um equilíbrio, hoje voltámos a fazê-lo: sendo honestos, transparentes e autênticos.

Decidimos então, para já, abraçar o norte do continente americano. E talvez seja este o último a cruzar, nesta volta ao mundo. Quem sabe. Sabemo-nos contudo sinceros. Leais. Íntegros.

E, acima de tudo, corretos.
Connosco. E com todos os que nos dão alento.

E estamos em paz. De acordo, em avença, com amizade e harmonia. Vestidos de entendimento. Abraçados em conciliação.

Enamorados. E uma vez mais loucos: por nós e por esta nossa viagem! E até onde ela nos levar.

ps. Escrevemos da Nova Zelândia, apesar do desfasamento aqui no blogue.

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4 thoughts on “mudam-se os planos.

  1. Façam o que fizerem, que seja sempre de alma e coração, com têm feito! Que seja sempre de consciência plena de que é isso que querem e de que é pelo amor que vão, que irão sempre!
    Sigam o vosso coração e estarão sempre a caminhar na direção certa!
    Beijos

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  2. Acabei de ler …sempre foram extremamente leais e transparentes connosco,e mais uma vez o estão a sêr . O projecto é vosso e deve-se desenvolver á vossa maneira ,é muito verdade que se não estão com a mesma energia ,o retorno do que fazem não é de todo o mesmo,nós somos meros espectadores ,que no meu caso viajou convosco várias vezes ,e muito obrigada por isso . Não sintam qualquer frustração …venham para o nosso delicioso canto e recarregem energias ,tudo fica lá ,e se um dia o decidirem continuam ,outra vez vazios e com espaço para mais conhecimento e emocões . Fiquem bem ,por cá eu que não vos conheço e muitos vós receberemos de braços abertos…além de tudo é edta a maneira de um português receber,ainda mais os seus . Muitos beijinhos

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  3. Olá no seguimento da minha primeira mensagem, acho que fizeram uma boa opção, os países da América do Sul são lindos na sua diversidade natural, cultural e humana, mas também apresentam realidades muito complicadas que exigem toda a atenção, cuidado, infelizmente para as realidades que se apresentam, sendo necessário, o alerta contanteenergia, logo mais desgastante. Têm a vida pela frente e oportunidades de novos desafios não faltarão. Tudo de bom.

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